segunda-feira, 26/10/2026

Executivo da Audi enfrenta críticas por participação em evento político ao lado de Trump

Na última segunda-feira (26), Gernot Doellner, presidente da Audi, se viu no centro de uma controvérsia ao aparecer ao lado do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante um comício na Geórgia. O evento…

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Na última segunda-feira (26), Gernot Doellner, presidente da Audi, se viu no centro de uma controvérsia ao aparecer ao lado do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante um comício na Geórgia. O evento marcou o anúncio de um investimento significativo de US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 20,2 bilhões) para a construção da primeira fábrica da montadora alemã em solo americano, com capacidade para produzir cerca de 200 mil SUVs anualmente.

A reação ao ato de Doellner foi imediata e feroz. Christiane Benner, presidente do IG Metall e vice-presidente do conselho de supervisão da Volkswagen, controladora da Audi, não hesitou em expressar seu descontentamento: “A forma como Gernot Doellner se apresentou e apresentou a Audi nos EUA é profundamente constrangedora, politicamente inaceitável e indigna da empresa.” Segundo Benner, a presença do executivo em um evento político contraria as diretrizes de neutralidade política que a Audi impõe a seus dirigentes, especialmente em períodos eleitorais.

De acordo com as informações da Reuters, o código de conduta da Audi proíbe explicitamente a participação em compromissos públicos com partidos ou candidatos nos três meses que antecedem uma eleição. A crítica de Benner ecoou ainda mais ao lembrar que a decisão final sobre o investimento cabe ao conselho de supervisão da Volkswagen, que já enfrenta desafios internos em meio a uma reestruturação significativa da montadora.

Outros líderes também se manifestaram contra a decisão de Doellner. Olaf Lies, primeiro-ministro da Baixa Saxônia, onde a Volkswagen tem significativas participações, afirmou que “um comício de campanha não pode ser o lugar certo para anunciar um investimento dessa magnitude”.

Por sua vez, o governo alemão, através de seu porta-voz adjunto, Sebastian Hille, defendeu a decisão da Audi como uma questão empresarial. “Trata-se de uma decisão empresarial relativa a onde a empresa investe e, neste caso, onde o CEO da empresa atua. Não tenho mais nada a acrescentar”, comentou Hille.

O anúncio do investimento foi feito por Trump durante o comício, realizado poucos dias antes das eleições de meio de mandato, que poderão transformar o controle no Congresso americano. A Audi confirmou que a construção da nova fábrica está prevista para começar em 2027, com produção iniciando no início da próxima década, o que promete criar cerca de 4,5 mil novos empregos.

Crédito da imagem: Trump cumprimenta Gernot Döllner, CEO da Audi.