A BYD, montadora chinesa que já se destaca no cenário automotivo brasileiro, anunciou a conclusão de sua primeira montagem totalmente nacional para dezembro deste ano. A planta, situada em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, começou a operar em outubro de 2025 e, agora, se prepara para expandir suas operações com a produção local do modelo Atto 2, um híbrido plug-in que promete atender a uma demanda crescente por veículos sustentáveis.
Durante uma coletiva realizada na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), o vice-presidente da fábrica, Alexandre Baldy, informou que os complexos de soldagem, pintura e estamparia da unidade estão em fase de testes, com o início da produção previsto entre novembro e dezembro. Essa mudança representa um avanço significativo para a montadora, que até agora recebia componentes da China e realizava apenas a montagem final em solo brasileiro.
A BYD também está de olho na aquisição do antigo porto da Ford, agora desativado, que poderia facilitar as operações de exportação da empresa. Localizado em Candeias, a cerca de 35 km de sua fábrica, o Terminal Portuário Privativo Miguel de Oliveira é visto como um passo estratégico para a expansão da montadora na América do Sul. Baldy destacou que a intenção é criar uma rede de operações que se estenda por toda a região, aumentando a competitividade da empresa no mercado internacional.
O investimento da BYD na Bahia já soma R$ 11 bilhões, e a expectativa é que o número de empregos diretos na fábrica chegue a 10 mil ainda este ano, com um aumento para 20 mil conforme os planos se concretizem. Os dados apresentados revelam um salário médio de R$ 3,9 mil, superando em 24% a média da indústria local, o que reflete um impacto positivo para a economia da região.
Entretanto, a crescente presença das montadoras chinesas no Brasil levanta preocupações entre as empresas locais. O presidente da Stellantis na América do Sul, Herlander Zola, criticou a falta de incentivos para a produção nacional, mencionando que a indústria ocidental falhou em prever a rapidez da transição para a eletrificação no setor automotivo. A disparidade nos custos de produção entre os veículos importados e os fabricados no Brasil, devido a fatores como o preço do aço, é uma questão que continua a ser debatida.
Assim, a BYD não apenas se prepara para um novo capítulo em sua história no Brasil, mas também provoca uma reflexão sobre o futuro da indústria automotiva no país e a necessidade de um ambiente mais favorável para a produção local, garantindo uma competição justa e sustentável.



